Um belo dia, acordei sobressaltado. Ouvi na rua passos estranhos, dezenas deles. Ameaçadores e decididos, arrebentaram meu portão, destruíram a placa onde se lia "lar, doce lar".
Corri à sala, na esperança de não ser nada realmente sério.
Deparei-me com as estranhas figuras, seres de face disforme e olhos rapinos. Fixaram olhar em mim, medindo-me dos pés à cabeça, invadindo meus pensamentos, devorando meus sonhos. Pela primeira vez senti o medo subir-me a espinha e percebi que o calor deixava meu peito.
Tentei falar, tentei gritar. Qualquer reação, porém, era impossível. Minha voz cessara, a força para gritar me faltara.
Passo a passo aproximaram-se e seu toque sobre minha pele era como a de mil adagas congeladas perfurando não a pele, mas a alma. Como se aqueles seres sem forma definida tocassem na verdade minha vida toda. Paralisei-me.
Tijolo por tijolo, destruíram minha casa, quebraram os móveis.
Minha família sumira e a foto do tempo de criança que antes ficava sobre a mesa, perdera a cor e o sentido.
Não durou mais que um instante, como o telefonema que dá a má notícia ou a palavra que põem fim a um grande amor.
Por fim, deixaram minha casa. Uma casa grande de mais agora que estava sozinho.
A comida, inútil já que não tinha fome, estragara. A água, desnecessária já que a sede mudara, também secara.
Saindo pela porta, notei que o dia estava cinza. As rosas que plantei no jardim foram esmagadas e todos os sentidos se perderam.
Assim notei que o mundo havia saído do lugar, algo havia mudado, que tudo que um dia quis, de nada agora me adiantaria.
Num súbito espasmo notei que ainda havia uma coisa dentro de mim, a única que os seres não haviam mutilado.
Com o que sobrou fiz tudo o que podia. Sentei-me aonde ficavam as rosas, tomei em minhas mãos a foto amarelada, acendi um cigarro e chorei.
Marco Ferreira.
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terça-feira, 27 de abril de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Sonho
Esse é bacana, vai pros posts prosados....boa leitura!
Noite funda, já não sei se o sono me confunde ou se é palpável o perfume que invade minha mente.
Com a mesma pele que me incendeia as vontades, delicadamente acaricia meus cabelos e me acorda com a voz que, mesmo ouvida por acaso, permeia meus ouvidos e se faz mais presente que qualquer sinfonia.
Tomo-lhe as mãos e roubo-lhe da boca o sumo, meio fel, meio doce, que há dias vem tirando o sabor das frutas e dos vinhos.
Minhas mãos deslizam sobre seu ventre desnudo e sinto seu corpo, num eterno estremecer, fundir-se ao meu.
Fugazmente, toma-me o controle e me faz menino, eu, antes tão atrevido, me vejo como aprendiz de suas vontades, escravo de seus desejos vis.
E como o vento da noite que muda e some sem dizer adeus, foge e me faz tão ou mais sozinho que outrora e fico calado, sentindo-lhe o peso do corpo sobre o meu, que teima em me acompanhar.
Noite funda, já não sei se o sono me confunde ou se o engano foi meu.
Noite funda, já não sei se o sono me confunde ou se é palpável o perfume que invade minha mente.
Com a mesma pele que me incendeia as vontades, delicadamente acaricia meus cabelos e me acorda com a voz que, mesmo ouvida por acaso, permeia meus ouvidos e se faz mais presente que qualquer sinfonia.
Tomo-lhe as mãos e roubo-lhe da boca o sumo, meio fel, meio doce, que há dias vem tirando o sabor das frutas e dos vinhos.
Minhas mãos deslizam sobre seu ventre desnudo e sinto seu corpo, num eterno estremecer, fundir-se ao meu.
Fugazmente, toma-me o controle e me faz menino, eu, antes tão atrevido, me vejo como aprendiz de suas vontades, escravo de seus desejos vis.
E como o vento da noite que muda e some sem dizer adeus, foge e me faz tão ou mais sozinho que outrora e fico calado, sentindo-lhe o peso do corpo sobre o meu, que teima em me acompanhar.
Noite funda, já não sei se o sono me confunde ou se o engano foi meu.
sábado, 26 de setembro de 2009
Manual de mim.
Boa noite, leitores tão amados.
Hoje, por estar há longo tempo afastado, resolvi publicar logo três de minhas novas criações. Tenho tentado varia de estilo e espero trazer grande ecleticidade a este sítio!
Uma boa leitura a todos, cuidem-se.
Por cantos obscuros caminhei e de tantas encruzilhadas, já não estou certo do lugar aonde estou.
Um labirinto sem saída, um labirinto, sim, de espelhos retorcidos, cada qual com um "eu", uma aparência reluzente ou decaída.
Enganos e mentiras, todo u mundo encoberto, escondido atrás de olhos opacos e sem vida.
Repito os mesmos erros, todas as escolhas que me afastaram de mim, do controle, do contrário. Sanidade.
Coração faceiro, amor vazio. Tudo o que possuo é um vácuo.
Quando foi que matei meus heróis?
Quando foi que matei m'eu herói?
Orgulho e expectativa postos sobre um falso estandarte.
Uma torre de Babel erguida sobre alicerces de mentiras, tijolos de fachada.
Pouco a pouco, crio um cerco que se fecha. Decepções, máscaras caídas, lágrimas no olhar.
Sou o vento que bate na madrugada, congelo sentimentos, vou além do imaginário.
Sou a forma disforme que muda de figura, falando figurativa mente.
Sou o asco e a vontade,
Sou o aço e o papel.
Sou o grito e o silêncio,
Sou tudo o que quiser e quem não quero ser.
Sou "o que", "por que?" e a concessão.
Sou um sonho do qual não se quer acordar e serei o pesadelo que te desperta aos prantos.
Sou segurança, sou incerteza.
Sou perfeito se quiser, mas jamais irei querer-lo.
Sempre serei o bom e o mal, a mudança e o medo, o mundo, o agora.
Sou o vento, não sou nada e nada disso.
Eu não existo.
Marco Ferreira
Hoje, por estar há longo tempo afastado, resolvi publicar logo três de minhas novas criações. Tenho tentado varia de estilo e espero trazer grande ecleticidade a este sítio!
Uma boa leitura a todos, cuidem-se.
Por cantos obscuros caminhei e de tantas encruzilhadas, já não estou certo do lugar aonde estou.
Um labirinto sem saída, um labirinto, sim, de espelhos retorcidos, cada qual com um "eu", uma aparência reluzente ou decaída.
Enganos e mentiras, todo u mundo encoberto, escondido atrás de olhos opacos e sem vida.
Repito os mesmos erros, todas as escolhas que me afastaram de mim, do controle, do contrário. Sanidade.
Coração faceiro, amor vazio. Tudo o que possuo é um vácuo.
Quando foi que matei meus heróis?
Quando foi que matei m'eu herói?
Orgulho e expectativa postos sobre um falso estandarte.
Uma torre de Babel erguida sobre alicerces de mentiras, tijolos de fachada.
Pouco a pouco, crio um cerco que se fecha. Decepções, máscaras caídas, lágrimas no olhar.
Sou o vento que bate na madrugada, congelo sentimentos, vou além do imaginário.
Sou a forma disforme que muda de figura, falando figurativa mente.
Sou o asco e a vontade,
Sou o aço e o papel.
Sou o grito e o silêncio,
Sou tudo o que quiser e quem não quero ser.
Sou "o que", "por que?" e a concessão.
Sou um sonho do qual não se quer acordar e serei o pesadelo que te desperta aos prantos.
Sou segurança, sou incerteza.
Sou perfeito se quiser, mas jamais irei querer-lo.
Sempre serei o bom e o mal, a mudança e o medo, o mundo, o agora.
Sou o vento, não sou nada e nada disso.
Eu não existo.
Marco Ferreira
sábado, 4 de abril de 2009
Em Cima da Árvore nº 1
Minha alma é como um pássaro
Enjaulada, enclausurada, é presa dentro desta carne,
Caixa de dores e medos que a impede de voar.
Suas asas são minhas idéias e meus pensamentos são seus olhos,
Seu olhar, vagueante, longínqüo, perdido no horizonte.
Qual o canto que me pertence?
Qual ar há de preencher meus pulmões de vida? - pergunta-me a alma.
Lugar nenhum há de me ter e todo o tempo do mundo é o tempo que agora tenho.
Meço a vida em rajadas de vento e aposto minhas fichas em tempo, cada segundo vale tudo o que tenho e não vale nada.
Sou o mesmo neste instante, sei que sempre serei o que for meu momento, até quando ele passar.
Cansado da jaula, da casa aonde adimiram-no, o pássaro que é minh'alma chora,
Canta a melancolia de jamais ser livre.
Quer fugir? Talvez queira somente sentir-se bem, à vontade com sua própria existência.
Procuro alçar voô, mas as grades machucam-me as penas e a pena que se sente é a pena paga por ser de outra cor. Penas coloridas em um mundo de daltônicos.
A falta de entendimento, o medo do estranho os envolvem e os fazem podar quem se queira ser.
As idéias, o pensamento perdido entre as visões de uma realidade surreal o afastam do equilíbrio, do normal.
Quando escapa da jaula, vôa em direção às nuvens, ao infinito.
E quando o ar lhe falta, desce, cai ao solo e de novo é aprisionado dentro de si.
A jaula é meu corpo.
Longe dele sou feliz, mesmo que por instantes, mais feliz que qualquer outro pássaro desta paisagem saturada e triste.
Marco Ferreira
Enjaulada, enclausurada, é presa dentro desta carne,
Caixa de dores e medos que a impede de voar.
Suas asas são minhas idéias e meus pensamentos são seus olhos,
Seu olhar, vagueante, longínqüo, perdido no horizonte.
Qual o canto que me pertence?
Qual ar há de preencher meus pulmões de vida? - pergunta-me a alma.
Lugar nenhum há de me ter e todo o tempo do mundo é o tempo que agora tenho.
Meço a vida em rajadas de vento e aposto minhas fichas em tempo, cada segundo vale tudo o que tenho e não vale nada.
Sou o mesmo neste instante, sei que sempre serei o que for meu momento, até quando ele passar.
Cansado da jaula, da casa aonde adimiram-no, o pássaro que é minh'alma chora,
Canta a melancolia de jamais ser livre.
Quer fugir? Talvez queira somente sentir-se bem, à vontade com sua própria existência.
Procuro alçar voô, mas as grades machucam-me as penas e a pena que se sente é a pena paga por ser de outra cor. Penas coloridas em um mundo de daltônicos.
A falta de entendimento, o medo do estranho os envolvem e os fazem podar quem se queira ser.
As idéias, o pensamento perdido entre as visões de uma realidade surreal o afastam do equilíbrio, do normal.
Quando escapa da jaula, vôa em direção às nuvens, ao infinito.
E quando o ar lhe falta, desce, cai ao solo e de novo é aprisionado dentro de si.
A jaula é meu corpo.
Longe dele sou feliz, mesmo que por instantes, mais feliz que qualquer outro pássaro desta paisagem saturada e triste.
Marco Ferreira
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Post Simples.

Saudações, caríssimos leitores.
Sem extensas noções introdutórias hoje, irei somente deixar aqui um de meus escritos; devaneio criado em uma noite chuvosa.
Boa leitura.
O vento toca minha pele, eu sinto a umidade que anuncia a tempestade.
Sentado de fronte à Natureza, eu sinto todas as cores que a noite trás batendo forte em minhas retinas.
A chuva não demora, contudo, eu não corro;
Quero sentir as gotas tocando a minha face,
O choro dos céus misturando-se às lágrimas.
Agora tudo vem de forma natural.
Eu entendo e um singelo sorriso nasce entre meus lábios;
Sei, a solidão e a melancolia são naturais ao ser selvagem.
Tudo que falam-me, tudo que ordenam-me;
São tão somente fúteis enganos, tolas miragens.
Deixo cada palavra fluir e voar livre do pensamento às folhas em minhas mãos.
A inocência clareia o entendimento; como uma criança, me acabo em gargalhadas.
Tudo que distorce minha mente tranco em uma sala qualquer,
Distante de tudo que a alma necessita,
Assim eu sinto a divindade em todo lugar.
Sem nome, sem cor, história ou sacrifício;
Para mim, tudo que importa é o vento que balança estas árvores.
Cada coisa têm sua beleza, assim penso e isso me conforta.
Se isso é certo, minha beleza há de estar em algum lugar.
Não a procuro pois aceito sua existência.
A simplicidade das coisas está em não pensar.
Então sou feliz por um tempo.
Na minha ignorância, se ela – beleza minha – existe, um dia ela há de me encontrar.
O vento Marco Ferreira
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Extra!

Bom, como hoje estou em um dia excepcionalmente criativo, vou postar algo mais no blog; contudo, para variar um pouquinho, não será nenhuma de minhas observações cotidianas.
Postarei logo abaixo um pequeno escrito produzido a algum tempo. Trata-se de mais um experimento feito com base e uso indiscriminado de títulos de músicas que aprovo com meu gosto musical.
Todos os títulos são de canções da banda "Los Hermanos"-segue o site- os quais aprecio muito o trabalho. Espero que todos gostem, principalmente aqueles que dividem este gosto comigo.
Aos músicos da banda, peço, desde já, desculpas, caso ofendam-se com minha carta.
Abraços a todos e tenham uma ótima semana.
Ah me diz o que a vida espera assim de mim?
Será assim tão fácil olhar para frente, olhar e ver através de um horizonte distante?
Ah, se eu pudesse voltar no tempo, num tempo em que éramos mais, muito mais...
Quando andávamos juntos como dois barcos que navegam para o mesmo rumo,
E meio que sambam um samba a dois, num mar de sal,
Como é feito e é de lágrima à deriva...Caminhando a Paquetá!
Contudo, sabes que sou assim, um cara estranho, e tal como é o vento condicional aos pássaros,
Da mesma forma é irrelevante a flor que compensa a casa pré-fabricada.
Ah, minha morena, queria eu que a vida fosse pra nós a vitória de um vencedor,
Que tal é o seu orgulho, vai do primeiro ao sétimo andar no mesmo fôlego!
Veja bem meu bem, e não penses que não sou assim sentimental,
Só não quero que o pouco que sobrou seja para nós uma obrigatoriedade de compromisso.
Por isso digo, adeus você, pois de hoje já não somos um par, como são em uma tênue ligação, o velho e o moço.
Só não me leve a mal, tu já sabia que todo carnaval tem seu fim, e assim será!
Ta bom, eu sei que não serei feliz, assim, tão sozinho, mas não é por essa ou outra razão que vou fingir na hora rir, chorarei, pois sim!
E de meu choro fez-se mar, como se faz mais uma canção de um trovador solitário!
Por fim digo-lhe, deixa estar, pois como o sábio que prefere o lado de dentro de sua morada,
E deixa o verão, pois sabe de suas tempestades, eu também viverei bem,
E feliz como quem ganha um sapato novo também esquecerei esse último romance!
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