Boa noite, leitores tão amados.
Hoje, por estar há longo tempo afastado, resolvi publicar logo três de minhas novas criações. Tenho tentado varia de estilo e espero trazer grande ecleticidade a este sítio!
Uma boa leitura a todos, cuidem-se.
Por cantos obscuros caminhei e de tantas encruzilhadas, já não estou certo do lugar aonde estou.
Um labirinto sem saída, um labirinto, sim, de espelhos retorcidos, cada qual com um "eu", uma aparência reluzente ou decaída.
Enganos e mentiras, todo u mundo encoberto, escondido atrás de olhos opacos e sem vida.
Repito os mesmos erros, todas as escolhas que me afastaram de mim, do controle, do contrário. Sanidade.
Coração faceiro, amor vazio. Tudo o que possuo é um vácuo.
Quando foi que matei meus heróis?
Quando foi que matei m'eu herói?
Orgulho e expectativa postos sobre um falso estandarte.
Uma torre de Babel erguida sobre alicerces de mentiras, tijolos de fachada.
Pouco a pouco, crio um cerco que se fecha. Decepções, máscaras caídas, lágrimas no olhar.
Sou o vento que bate na madrugada, congelo sentimentos, vou além do imaginário.
Sou a forma disforme que muda de figura, falando figurativa mente.
Sou o asco e a vontade,
Sou o aço e o papel.
Sou o grito e o silêncio,
Sou tudo o que quiser e quem não quero ser.
Sou "o que", "por que?" e a concessão.
Sou um sonho do qual não se quer acordar e serei o pesadelo que te desperta aos prantos.
Sou segurança, sou incerteza.
Sou perfeito se quiser, mas jamais irei querer-lo.
Sempre serei o bom e o mal, a mudança e o medo, o mundo, o agora.
Sou o vento, não sou nada e nada disso.
Eu não existo.
Marco Ferreira
sábado, 26 de setembro de 2009
Poesia Indiscreta nº 1
Vivo um eterno procurar
E em vivas chamas ardo ao pensar nesse encontro.
Suas garras a cortar-me a pele
E o suco vivo da tua carne,
Enbrenhando-se na minha
Saciando todo instino animalesco de volúpia.
Recordo-me, improvável,
De beijos loucos, gritos roucos,
Dessa nossa valsa - dançar de borboletas
e acalanto de abelhas em rosas.
Julgo-me culpado, de amar tão vivazmente,
De desejar tão incessante tua figura.
De querer mais que a minha figura
Esses teus traços tão desconhecidos.
Como posso - pergunto em meus sonhos-
Te querer tão impunemente,
Se em verdade nem te vejo
Se realmente não conheço
Nem teu nome, nem teus olhos,
Nem ao menos se existes?
Marco Ferreira
E em vivas chamas ardo ao pensar nesse encontro.
Suas garras a cortar-me a pele
E o suco vivo da tua carne,
Enbrenhando-se na minha
Saciando todo instino animalesco de volúpia.
Recordo-me, improvável,
De beijos loucos, gritos roucos,
Dessa nossa valsa - dançar de borboletas
e acalanto de abelhas em rosas.
Julgo-me culpado, de amar tão vivazmente,
De desejar tão incessante tua figura.
De querer mais que a minha figura
Esses teus traços tão desconhecidos.
Como posso - pergunto em meus sonhos-
Te querer tão impunemente,
Se em verdade nem te vejo
Se realmente não conheço
Nem teu nome, nem teus olhos,
Nem ao menos se existes?
Marco Ferreira
Chuva
Meu peito é cantil de lágrimas.
Choro quando chove,
Ou meu peito escorre em choro
Que desagua nesse céu que sofre?
Queria entender o canto dessa vida,
A natureza desse laço entre eu e o mundo.
Esse mundo cego e surdo
Que não nota os amores, as dores
E os desejos de quem sofre.
Esse conjunto, sempre tão preocupado
Em ter e ser, do que em sentir.
Quisera minha voz ser assim tão intensa,
Que esse rouco e grave clamar
Despertasse as marés.
Sempre indo e vindo sem vontades ou desejos.
Essa massa.
Que esse ganido do animal que sou,
Que morre e vê morrer,
Sobrepujasse os votos de quem jura lealdade.
Embora já não sinta o meu humano,
Desejei de todo
Que se fizesse florescer essa vontade.
Que todo aquele que ama
Demonstrasse esse querer.
Que me fizessem belas trovas
E me acalentassem quando choro.
Entendessem que quando sorrio,
É quando mais preciso de alguém.
Marco Ferreira.
Choro quando chove,
Ou meu peito escorre em choro
Que desagua nesse céu que sofre?
Queria entender o canto dessa vida,
A natureza desse laço entre eu e o mundo.
Esse mundo cego e surdo
Que não nota os amores, as dores
E os desejos de quem sofre.
Esse conjunto, sempre tão preocupado
Em ter e ser, do que em sentir.
Quisera minha voz ser assim tão intensa,
Que esse rouco e grave clamar
Despertasse as marés.
Sempre indo e vindo sem vontades ou desejos.
Essa massa.
Que esse ganido do animal que sou,
Que morre e vê morrer,
Sobrepujasse os votos de quem jura lealdade.
Embora já não sinta o meu humano,
Desejei de todo
Que se fizesse florescer essa vontade.
Que todo aquele que ama
Demonstrasse esse querer.
Que me fizessem belas trovas
E me acalentassem quando choro.
Entendessem que quando sorrio,
É quando mais preciso de alguém.
Marco Ferreira.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Gritos
Caríssimos leitores!!!
Confesso que estou realmente com saudades de escrever aqui e desafoguar minhas linhas sobre vossos olhos.
Mudando um pouco o foco, aqui vai uma poesia um tanto diferente do que vocês já conhecem. Espero que gostem, e que tenham uma boa leitura.
Por vezes eu pergunto:
"Aonde está o seu amor?"
Se quando mais preciso de respostas,
Só o que encontro é a questão.
Será o sonho de um bilhão,
O que filósofos antigos perderam o sono para explicar?
Eu te grito de dentro de mim,
Qual é a razão pras coisas serem como são?
Se eu adoresse qualquer solução,
Teria ela mais classe que essa concepção?
Eu fico acordado no vão da minha vida,
Provocando toda dor causada pelo seu "amor".
Vem, me encontra para um café
E me explica, qual é a lógica
Pra toda essa incoerência.
A justiça é uma dama.
Enquanto somos tão castos.
É a verdade absoluta, esse teatro de embaraços?
Eu viro as minhas costas
Para toda essa cegueira.
Se o paraíso prometido é um circo dos horrores,
Esquecerei da sua cria
E farei tudo à minha maneira.
Liberté, égalité et fraternité.
Marco Ferreira.
Confesso que estou realmente com saudades de escrever aqui e desafoguar minhas linhas sobre vossos olhos.
Mudando um pouco o foco, aqui vai uma poesia um tanto diferente do que vocês já conhecem. Espero que gostem, e que tenham uma boa leitura.
Por vezes eu pergunto:
"Aonde está o seu amor?"
Se quando mais preciso de respostas,
Só o que encontro é a questão.
Será o sonho de um bilhão,
O que filósofos antigos perderam o sono para explicar?
Eu te grito de dentro de mim,
Qual é a razão pras coisas serem como são?
Se eu adoresse qualquer solução,
Teria ela mais classe que essa concepção?
Eu fico acordado no vão da minha vida,
Provocando toda dor causada pelo seu "amor".
Vem, me encontra para um café
E me explica, qual é a lógica
Pra toda essa incoerência.
A justiça é uma dama.
Enquanto somos tão castos.
É a verdade absoluta, esse teatro de embaraços?
Eu viro as minhas costas
Para toda essa cegueira.
Se o paraíso prometido é um circo dos horrores,
Esquecerei da sua cria
E farei tudo à minha maneira.
Liberté, égalité et fraternité.
Marco Ferreira.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Alma Minha
Vai, alma minha, parte insassiável do meu peito.
Vai, alma minha, parte indivizível do meu ser.
Vai e alcança o infinito, vê os mares e montanhas.
Vai e aprenda tudo deste mundo.
Vá e conheça dores e angústias,
Sinta saudades e ternuras.
Culpe-me, odeie-me, condene-me,
Castigue-me por deixar-te tão livre, por sumir na calada escura.
Porém, vê, alma minha, todo pássaro tem um lar.
Toda janela um olhar, perdido, quieto,
Esperando ver ao longe tua figura em regresso.
Vai e aprende, alma minha,
Que a melhor parte de um voô é pousar.
E que ser livre é ser você o tempo todo,
Mas sempre no seu lugar.
Vai, alma minha, parte indivizível do meu ser.
Vai e alcança o infinito, vê os mares e montanhas.
Vai e aprenda tudo deste mundo.
Vá e conheça dores e angústias,
Sinta saudades e ternuras.
Culpe-me, odeie-me, condene-me,
Castigue-me por deixar-te tão livre, por sumir na calada escura.
Porém, vê, alma minha, todo pássaro tem um lar.
Toda janela um olhar, perdido, quieto,
Esperando ver ao longe tua figura em regresso.
Vai e aprende, alma minha,
Que a melhor parte de um voô é pousar.
E que ser livre é ser você o tempo todo,
Mas sempre no seu lugar.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Os Olhos
Saudações a todos meus amigos leitores!
Como de praxe, ausento-me por longas datas sem postar no blog. Contudo, hoje fico feliz de que essa distância tenha um fundo intelectual.
Andei produzindo deveras e creio poder fazer muitas postagens consecutivas neste momento.
Para começar, já que mudei um pouco o foco de meus escrios cybernéticos, vou postar uma de minhas novas poesias.
Espero que todos gostem e aguardem novidades, tanto na freqüência das postagens e no conteúdo, quanto no layout, que mudará em breve.
Já não mando nos meus olhos.
São todo eles poços de vontades.
Voluntariosos e cheios de gênios,
Velam-te incessantes contra o meu querer.
Mantém, ainda, o costume de acompanhar teu andar, olhar por teu sono.
Ah, esses olhos que me traem!
Casados com os teus, mortos de vontade,
Já não se fecham, não me deixam dormir
E ficam a mirar estrelas, esperando te encontrar.
Afogados, olhos meus...
De tão molhados não me deixam respirar.
Bígamos, infelizes sendo dois,
Esperam que os dois que fazem enxergar regressem.
Cansados, tão castanhos, tão opacos,
Desejam esse verde, essa luz que conforta e afaga.
E, pouco a pouco, calejados e roucos de saudade
Vão minguando, se fechando.
Até descansarem sozinhos, em silêncio.
Marco Ferreira
Como de praxe, ausento-me por longas datas sem postar no blog. Contudo, hoje fico feliz de que essa distância tenha um fundo intelectual.
Andei produzindo deveras e creio poder fazer muitas postagens consecutivas neste momento.
Para começar, já que mudei um pouco o foco de meus escrios cybernéticos, vou postar uma de minhas novas poesias.
Espero que todos gostem e aguardem novidades, tanto na freqüência das postagens e no conteúdo, quanto no layout, que mudará em breve.
Já não mando nos meus olhos.
São todo eles poços de vontades.
Voluntariosos e cheios de gênios,
Velam-te incessantes contra o meu querer.
Mantém, ainda, o costume de acompanhar teu andar, olhar por teu sono.
Ah, esses olhos que me traem!
Casados com os teus, mortos de vontade,
Já não se fecham, não me deixam dormir
E ficam a mirar estrelas, esperando te encontrar.
Afogados, olhos meus...
De tão molhados não me deixam respirar.
Bígamos, infelizes sendo dois,
Esperam que os dois que fazem enxergar regressem.
Cansados, tão castanhos, tão opacos,
Desejam esse verde, essa luz que conforta e afaga.
E, pouco a pouco, calejados e roucos de saudade
Vão minguando, se fechando.
Até descansarem sozinhos, em silêncio.
Marco Ferreira
sábado, 4 de abril de 2009
Em Cima da Árvore nº 1
Minha alma é como um pássaro
Enjaulada, enclausurada, é presa dentro desta carne,
Caixa de dores e medos que a impede de voar.
Suas asas são minhas idéias e meus pensamentos são seus olhos,
Seu olhar, vagueante, longínqüo, perdido no horizonte.
Qual o canto que me pertence?
Qual ar há de preencher meus pulmões de vida? - pergunta-me a alma.
Lugar nenhum há de me ter e todo o tempo do mundo é o tempo que agora tenho.
Meço a vida em rajadas de vento e aposto minhas fichas em tempo, cada segundo vale tudo o que tenho e não vale nada.
Sou o mesmo neste instante, sei que sempre serei o que for meu momento, até quando ele passar.
Cansado da jaula, da casa aonde adimiram-no, o pássaro que é minh'alma chora,
Canta a melancolia de jamais ser livre.
Quer fugir? Talvez queira somente sentir-se bem, à vontade com sua própria existência.
Procuro alçar voô, mas as grades machucam-me as penas e a pena que se sente é a pena paga por ser de outra cor. Penas coloridas em um mundo de daltônicos.
A falta de entendimento, o medo do estranho os envolvem e os fazem podar quem se queira ser.
As idéias, o pensamento perdido entre as visões de uma realidade surreal o afastam do equilíbrio, do normal.
Quando escapa da jaula, vôa em direção às nuvens, ao infinito.
E quando o ar lhe falta, desce, cai ao solo e de novo é aprisionado dentro de si.
A jaula é meu corpo.
Longe dele sou feliz, mesmo que por instantes, mais feliz que qualquer outro pássaro desta paisagem saturada e triste.
Marco Ferreira
Enjaulada, enclausurada, é presa dentro desta carne,
Caixa de dores e medos que a impede de voar.
Suas asas são minhas idéias e meus pensamentos são seus olhos,
Seu olhar, vagueante, longínqüo, perdido no horizonte.
Qual o canto que me pertence?
Qual ar há de preencher meus pulmões de vida? - pergunta-me a alma.
Lugar nenhum há de me ter e todo o tempo do mundo é o tempo que agora tenho.
Meço a vida em rajadas de vento e aposto minhas fichas em tempo, cada segundo vale tudo o que tenho e não vale nada.
Sou o mesmo neste instante, sei que sempre serei o que for meu momento, até quando ele passar.
Cansado da jaula, da casa aonde adimiram-no, o pássaro que é minh'alma chora,
Canta a melancolia de jamais ser livre.
Quer fugir? Talvez queira somente sentir-se bem, à vontade com sua própria existência.
Procuro alçar voô, mas as grades machucam-me as penas e a pena que se sente é a pena paga por ser de outra cor. Penas coloridas em um mundo de daltônicos.
A falta de entendimento, o medo do estranho os envolvem e os fazem podar quem se queira ser.
As idéias, o pensamento perdido entre as visões de uma realidade surreal o afastam do equilíbrio, do normal.
Quando escapa da jaula, vôa em direção às nuvens, ao infinito.
E quando o ar lhe falta, desce, cai ao solo e de novo é aprisionado dentro de si.
A jaula é meu corpo.
Longe dele sou feliz, mesmo que por instantes, mais feliz que qualquer outro pássaro desta paisagem saturada e triste.
Marco Ferreira
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